quinta-feira, 30 de abril de 2009

Estorias bizarras da vida politica de uma cidade às avessas

Era uma vez uma pequena cidade encravada entre lindas e devastadas colinas, nessa cidade, onde tudo pode acontecer, moravam vários carneirinhos trabalhadores e honestos, porém muito influenciáveis. Esses carneirinhos moravam num belo e não muito cuidado curral, o qual estava sob os míticos poderes de um destemido guia que mantinha seus inocentes carneirinhos na escuridão da ignorância com doses cavalares de uma velha formula que sempre trouxe resultado, principalmente entre gente de mente fraca(terreno fértil para oportunistas), essa formula mágica nada mais é do que o velho e conhecido pão e circo(mais circo do que pão na realidade). Essas doses aumentavam ainda mais na época que precedia o fátidico mês de outubro, época de colher os frutos de quatro anos de descaso e demagogias. Nesse mês, constelações e combinações astrológicas realizam-se (leia-se arranjos políticos) e o destemido guia necessitará de uma escolha divina (leia-se maioria dos votos)para poder guiar(roubar?!ludibriar?!negligenciar?!) seus passivos carneirinhos por mais quatro intermináveis anos. Essa estoria passaria despercebida aos olhos inocentes, mas a criticidade(peculiar aos protestantes e festeiros cidadãos colinenses) a tranpõe à nossa bizarra realidade, afinal, numa cidade em que Washington Brasileiro é celebridade e que festas(leia-se pizeiros)nas periferias da cidade é tido como algo quase cultural, TUDO É POSSIVEL. Vivemos, infelizmente, num meio em que o improvável se torna normal, em que o inaceitável se torna possivel e em que até os pródigos jovens(outrora assíduos boêmios da agitada noite colinense) se alçam à vida publica com tamanha facilidade, que chega a ser passível de risos(irônicos, lógico) não pelo fato de conseguirem tal feito, mas pela surreal ousadia que os faz (inocentemente) acreditarem ser os predestinados a fazer Colinas emergir do fundo do esquecimento(normal, ninguem vive sem utopias em que acreditar), conseqüência de anos de impassividade e negligência de seus governantes, que não movem um dedo para tentar mudar tal situação(a antítese da situação é que, enquanto isso, seus empreendimentos crescem mais e mais), não bastasse tudo isso, ainda nos faz acreditar e ingerir indigestamente que seus apadrinhados são dignos de uma vaguinha na concorrida Câmara Municipal, e como todo caos é pouco, sobreleva-se ainda que a vaquejada ta aí, e afinal, porque me ineressar numa reforma que nunca acontece, um recurso que nunca chega, se eu posso pensar que roupa eu vou comprar pra vaquejada!?, até porque vaquejada é evento cultural(tradição que nos foi engolida goela abaixo) e como um entretenimento de massa que se preza nos seduz e faz esquecer o que era para ser inesquecível. E além do mais nem passa na cabeça do consciente cidadão colinense perder mais uma rara apresentação das já saturadas bandas, ano após ano, ou seja, podemos passar quatro anos cheirando merda mas perder a vaquejada, nem pensar!(ao menos um ponto a favor, movimenta o comercio da cidade, e tambem das distribuidoras de cerveja, quero dizer, de uma distribuidora de cerveja). Não recrimino quem vá, afinal aí me incluo, apenas critico os que se alienam nesse momento e esquecem todo o resto. Não bastasse todas essas provações em nosso caminho, vivemos ainda com a constante duvida e a falta de opção na escolha entre tantos nomes criativos de excêntricos candidatos, que além de não possuirem aquele esperado engajamento (santo egoísmo), nem tentam mudar. O pior é que sabemos o passado, o presente e possivelmetne o futuro desses mesmos candidatos, e não damos a oportunidade do novo surgir, mas isso é explicável, cidade pequena de mente conservadora(?) não tem em mente que permanecer nesse ciclo não só atrasa como também mostra o quão frágil nos tornamos, onde mais candiatos anunciados a semanas da eleição ganhariam a mesma com tanta facilidade, a resposta é Colinas, e não se assuste, isso é praxe, afinal, porque mexer em time que está ganhando. Nessa leva vem muitos jovens recém saidos da puberdade, não obstante a audácia desses destemidos jovens, nos deparamos com inusitadas combinações de chapas candidatos a prefeito, nem mesmo as saturadas discussões de esquina premeditavam combinações tão...tão...no minimo estranhas (isso é que é a politicalha, bem vindos a esse mundo do inacreditavel). Nem no meu sonho mais bizarro, e olha que acordado eu já imagino coisas improváveis, não imaginei combinações tão digamos diversas na atmosfera pseudo-politica da cidade, as cartas estão na mesa,e a variedade è insana, porém, sempre a mesma: o empreendedor-pretencioso--incansavel , a ex-primeira dama coadjuvante de um esqueleto que resurge de épocas em épocas e que um dia tentou conquistar Colinas com seu charme, ossos e cabelos pretíssimos, e a zebra que todos passamos a conhecer. Enfim, o inusitado se torna gradativamente mais comum, o surreal já é tão banal que virou realidade, e o mais incrível e que nos acostumamos. Nos acostumamos a deixar de lado os problemas públicos(de nosso interesse, pelo menos deveria ser) quando se aproxima a Vaquejada; nos acostumamos a deixar de lado a constante negligencia dos nossos governantes quando se aproxima o carnaval; nos acostumamos, enfim, a fechar os olhos para o que está discaradamente errado ao nosso redor por alguns minutinhos de diversão com alguma excentrica banda de forro(sendo que esses minutinhos comprometerão o resto de nossas vidas ). Ou seja, vivemos num eterno pão e circo e o pior é que nos habituamos a essa perigosa situação, e por mais paradoxal que soe, gostamos disso. São comédias bizarras da vida publica de uma cidade onde um show do Caçulas do Forro garante centenas de votos, não pela persuasão da banda mundialmente famosa, mas pela ignorância do povo que se alegra com pouco. Contudo, vivemos numa democracia(aparentemente, mas vivemos) e isso explicita que todos tem direitos iguais , inclusive de se lançarem a uma candidatura sem muitos impecilhos(infelizmente). Nada contra essas pessoas se candidatarem(minto), mas persistir no erro é burrice e isso tudo é quase tão horrível quanto ter que suportar diariamente a estranha e discutível imparcialidade da única TV da cidade. Seria tudo isso ardor para tentar tirar Colinas do fundo do poço ou uma justificável(?!) ganância para sentar e se apossar das confortáveis cadeiras do poder dessa pequenas cidade? As cartas estão lançadas. E mais uma vez o ciclo vicioso que vivemos completou uma volta. Só resta desejar boa sorte para nós mesmos. Que é quem realmente precisa.

[ O contéudo do post pode parecer com data um pouco atrasada, mas o conteúdo, esteja certo, é atemporal, infelizmente, más é.]